Na continuidade dos artigos sobre os sistemas de refrigeração existentes, apresentamos os últimos e mais avançados desta série.
Placa Fria (Cold Plate)
A “placa fria” é uma forma comum de arrefecer as baterias dos carros elétricos. Funciona assim: são placas de metal (geralmente alumínio) com canais por dentro. Um líquido refrigerante (tipo água + glicol, como anticongelante) circula nestes canais.
A placa fica encostada à base ou nas laterais das células da bateria (ou entre camadas). O calor das células passa para a placa por contacto direto (às vezes com uma pasta térmica para ajudar). O líquido transporta o calor para um radiador ou permutador de calor, onde é arrefecido.
É muito eficaz para baterias grandes e potentes, mantém as células a temperaturas baixas e uniformes (normalmente abaixo de 40–50 °C), mesmo em carga rápida ou acelerações fortes. Evita que a bateria perca potência por calor excessivo e aumenta a vida útil.
Vantagens simples:
– Funciona bem em carros normais e de alta performance.
– Fácil de controlar com bomba e sensores.
– Pode aquecer a bateria no frio (útil em Portugal no inverno).
– Já usado em muitos carros: Audi e-tron SUV/GT, Lucid Air, Rivian R1T/R1S.
Desvantagens:
– Mais pesado e caro (placas + líquido + bomba).
– Se houver mau contacto ou ar no sistema, arrefece menos bem.
– Manutenção: verificar nível de líquido, fugas, bomba e filtros.
Imersão (Immersion Cooling)
Na “imersão”, as células da bateria ficam completamente mergulhadas num líquido especial que não conduz eletricidade (chamado fluido dielétrico, tipo óleo sintético ou fluido fluorado). Não é água!
O líquido toca diretamente em todas as partes da célula, absorvendo o calor de forma super uniforme. Uma bomba faz o líquido circular e leva o calor para fora, para um radiador ou permutador.
É a forma mais eficiente de arrefecer: mantém as temperaturas muito baixas e iguais em todo o pack (diferença de só 2–5 °C entre células), mesmo em uso extremo ou carga ultra-rápida. Ajuda a prevenir incêndios (o fluido não pega fogo facilmente) e permite baterias mais compactas e potentes.
Vantagens simples:
– Arrefecimento excelente e uniforme → bateria dura mais e carrega mais rápido.
– Mais seguro contra sobreaquecimento ou fogo.
– Pode ser o futuro para carros muito potentes.
Desvantagens:
– Caro (o fluido especial é muito caro).
– Sistema mais complicado: precisa de vedantes perfeitos, manutenção do líquido (filtrar, trocar).
– Mais pesado por causa do volume de fluido.
– Ainda está em fase de testes ou uso em carros de nicho/racing (ex.: Andros Sport 01, alguns protótipos da Renault ou Volvo). Não é comum em carros de rua em 2026.
Resumo para o electro-mecânico de AT:
– Placa fria → o padrão hoje: o líquido circula em placas, bom equilíbrio custo/desempenho. Verifica as fugas, nível e bomba como num sistema de refrigeração normal.
– Imersão → topo de linha, mas raro: a bateria a “nadar” em óleo isolante. Se intervencionar um sistema destes muito cuidado com a contaminação cruzada e elastómeros.
Fonte: PÓS VENDA